Planejamento Financeiro

Saiba como definir o valor de mesada dos seus filhos

Seu filho está pedindo um aumento na mesada? Descubra como calcular o valor ideal nesse post.

Dizem que acontece quando menos se espera: num passeio ao shopping, durante um final de tarde no parque ou mesmo no caminho de volta da escola para casa, quando os pais estão distraídos. E de repente, vem a pergunta: "pai, me dá um dinheiro?". E, em situações assim, você provavelmente deve se perguntar: será que está na hora de começar a dar mesada?

Para muitas famílias, a educação financeira dos filhos começa a ser uma preocupação quando eles começam a demonstrar interesse pelo dinheiro e pelas relações comerciais que o envolvem.

Mas a relação das crianças com o dinheiro começa muito antes disso, antes mesmo de terem desenvolvido noções de matemática para compreender o valor de cada moeda ou cédula.

Normalmente, a primeira reação dos pais é incentivar o aprendizado e buscar maneiras eficientes de passar às crianças noções importantes de consumo consciente, economia e administração do próprio dinheiro.

Para isso, é utilizada uma ferramenta que divide opiniões, tanto dos pais quanto de especialistas: a mesada — um valor previamente estipulado e oferecido aos filhos para que tenham a experiência de lidar com o dinheiro de forma natural, ainda que sob a supervisão e orientação de seus responsáveis.

O hábito de oferecer a mesada aos filhos pode ser uma estratégia importante na educação financeira das crianças, mas como tudo que envolve a maternidade e paternidade responsável, existem alguns aspectos que devem ser observados para garantir sua eficiência.

Nesse contexto, uma questão que costuma gerar muitas dúvidas entre as famílias é o valor da mesada.

Não existe um único parâmetro que sirva a todos as famílias na hora de definir qual a soma de dinheiro que deve ser oferecida periodicamente aos filhos. Essa decisão deve ser feita de forma consciente por ambos os pais, e reavaliada sempre que algum dos fatores envolvidos sofrer alguma mudança.

Na hora de calcular o valor de mesada, é importante considerar os seguintes aspectos:

A idade da criança

A fórmula "um real por ano de vida da criança" não faz muito sentido para a nossa realidade, mas as necessidades e desejos aos 4 ou 5 anos e aos 15 não podem ser comparados. Aliás, antes dos seis anos o valor da mesada é meramente simbólico, e serve apenas para se familiarizar com o uso do dinheiro e as relações de troca da sociedade.

A partir dos 7 anos, o valor deve ser suficiente para realizar alguns pequenos desejos, reajustando esse valor com o passar do tempo. Contudo, além da idade da criança, é necessário avaliar sua maturidade e o seu nível de responsabilidade.

A periodicidade do valor de mesada

Crianças pequenas têm dificuldade de lidar com a noção de tempo, e normalmente se adaptam melhor ao conceito de semanada. Nesse caso, os finais de semana ajudam na contagem do tempo e os pais têm mais facilidade em demonstrar de quanto em quanto tempo será oferecido o dinheiro.

Entre os 6 e 10 anos, a periodicidade quinzenal já permite um planejamento eficiente, tanto dos pais quanto das crianças. A partir dos 11 anos, pode-se espaçar mais os intervalos, determinando um único dia do mês para oferecer a mesada.

O padrão de vida do grupo social

O valor da mesada é uma decisão pessoal de cada família, de acordo com sua realidade e suas prioridades. Mas é importante considerar o ambiente social e o círculo de convivência dos filhos para evitar comparações e divergências muito grandes.

Pode ser uma boa ideia conversar com outros pais e encontrar um valor que não seja nem o mais alto nem o mais baixo em sua turma de amigos.

As possibilidades da família

Não faz sentido oferecer aos filhos uma mesada de valor alto se a família tem uma situação econômica modesta, da mesma forma que famílias mais abastadas não devem estipular valores muito baixos.

O ideal é que o valor da mesada reflita as possibilidades econômicas de cada família, já que faz parte da educação financeira dos filhos.

A finalidade da mesada

A mesada não deve ser utilizada como forma de coerção ou chantagem — pelo contrário, ela deve ser uma ferramenta na educação financeira dos filhos, sendo acompanhada de orientação, supervisão e disciplina, quando for necessário.

O valor de mesada deve possibilitar pequenas compras de interesse da criança: gibis, figurinhas, guloseimas ou brinquedos simples. Também é importante permitir que a criança perceba que não é necessário gastar todo o dinheiro de uma só vez, e guardar uma parte da mesada permite adquirir objetos de valor mais alto, de livros a brinquedos mais caros.

As metas de poupança

Desde a primeira infância, os filhos devem ser estimulados a poupar uma parte do valor da mesada (cerca de 20 a 30%), seja para realizar um pequeno sonho de consumo ou simplesmente para ter algum dinheiro reservado para o futuro.

Os pais podem enfatizar a importância de não desperdiçar o dinheiro com compras fúteis, ao mesmo tempo em que permitem pequenos erros — a prática pode ensinar mais que os discursos dos adultos.

Por isso, é importante estipular um valor que permita economizar uma parte, mas também seja suficiente para ser administrado durante o mês.

A personalidade da criança

Algumas crianças já nascem com uma grande facilidade para administrar o dinheiro da mesada; outras cometem os mesmos erros, repetidamente. Por outro lado, algumas crianças demonstram desde cedo o interesse por ganharem seu próprio dinheiro, enquanto que em outras essa vontade só desperta próximo à adolescência.

Por isso, mesmo que seja importante não fazer diferenças entre os filhos, é fundamental considerar a personalidade de cada criança na hora de definir o valor de mesada.

De qualquer forma, para preservar seu caráter educativo, a mesada deve ser precedida de uma conversa franca entre pais e filhos, estipulando desde o início o valor que será oferecido, a que ele se destina e quais as regras para usar esse valor.

Outro ponto importante a ensinar às crianças é que a mesada é um privilégio, e não está relacionada a suas obrigações em casa e na escola — estudar, tirar boas notas, arrumar o próprio quarto e cuidar de suas coisas são hábitos que fazem parte do cotidiano e dos seus deveres, e não devem ser recompensados com dinheiro.

Com esses aspectos em mente, é possível determinar o valor ideal para a mesada dos filhos, sendo possível rever esse valor se a criança demonstrar responsabilidade, maturidade e necessidades além das esperadas.

Com disciplina e orientação, a educação financeira dos filhos acontece de forma natural e saudável, criando adultos conscientes, responsáveis e bem-sucedidos.

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