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10 passos para utilizar a carta de crédito do seu consórcio

Sabe como funciona a carta de crédito no consórcio? Entenda como utilizar esse instrumento financeiro a seu favor!

Para quem participa de um consórcio, três palavras soam como música para os ouvidos: carta de crédito. Tudo o que se faz em um consórcio tem como objetivo principal conquistar a contemplação dessa tão sonhada carta.

Como é ela que permite a aquisição do bem desejado, não é difícil entender o porquê de ela ser tão importante. Para que tudo ocorra como o esperado, é fundamental saber como acontece todo o processo, desde a liberação desse crédito até o seu uso para compra do bem desejado.

Por isso, veja a seguir 10 passos para utilizar a carta de crédito do seu consórcio e tire todas as suas dúvidas!

O que é a carta de crédito?

A participação em um consórcio funciona da seguinte maneira: você adquire uma cota e se torna parte de um grupo, realizando pagamentos mensais de acordo com as características do plano.

Em cada assembleia, há os sorteios e as ofertas de lances que permitem a contemplação de um ou mais participantes, que poderão utilizar os recursos para comprar o bem. Esses recursos são reunidos na forma da carta de crédito, que nada mais é do que uma espécie de instrumento financeiro.

Sendo assim, a carta de crédito é o valor que um determinado consórcio oferece para a contratação do serviço ou compra do bem especificado. Por exemplo: uma pessoa que faz um consórcio no valor de R$ 300 mil, tem uma carta de crédito nesse valor para usar conforme estabelecido em contrato.

Ela é, portanto, o valor que garante que a pessoa contemplada adquira o bem desejado por meio do consórcio. O seu funcionamento tem como objetivo estabelecer segurança tanto para quem compra quanto para a administradora do negócio, garantindo que tudo aconteça como previsto.

O grande benefício da carta de crédito é que ela oferece maior poder de negociação para quem opta pelo consórcio. Como equivale a pagamento à vista, há uma maior possibilidade de obter descontos e vantagens na hora de fazer a compra ou contratação.

Como funciona a carta de crédito?

Sendo um instrumento financeiro, a carta de crédito funciona de uma maneira diferente do que a compra à vista por si só. Seu funcionamento depende de uma sequência de eventos e alguns dos fatores mais importantes que estão relacionados a ela incluem:

Seleção do valor

O funcionamento da carta de crédito começa justamente na definição do seu valor. Antes de adquirir uma cota, o participante deve definir qual é o valor que ele deseja e, ainda mais importante, qual a quantia ele pode pagar.

Isso vai depender do tempo de consórcio e da renda. Quanto maior é o tempo de consórcio, maior pode ser a carta de crédito. Ao mesmo tempo, o ideal é que o valor não comprometa mais do que 30% da renda, contribuindo para a segurança financeira do participante.

Note, entretanto, que não é necessário comprovar renda no momento da adesão. Então, para evitar dores de cabeça é importante levar essa regra em consideração para não ter problemas com a contemplação e nem com o pagamento das parcelas mensais.

Dependendo do tipo de consórcio, é possível modificar esse valor quando o consórcio já está em andamento. Quem não consegue pagar prestações de um determinado valor, por exemplo, pode reduzir a carta de crédito de modo que ela caiba no bolso. De maneira oposta, quem pode e deseja pagar um pouco mais, pode estender o seu limite.

Entretanto, esse é um caso especial e que deve ser tratado com a administradora, certificando se essa é ou não uma situação possível de ser executada.

Necessidade de contemplação

A carta de crédito só é liberada para um participante do consórcio quando há a contemplação. Para que isso aconteça, há duas possibilidades: ser sorteado ou vencer o lance.

Enquanto o sorteio depende exclusivamente da sorte, oferecer o maior lance é uma possibilidade para quem quer adquirir o bem mais rapidamente. No caso de um consórcio de R$ 200 mil, por exemplo, oferecer um lance de R$ 50 mil pode resultar na contemplação imediata.

Nesse caso, quem quiser acelerar o processo de contemplação por meio dos lances vai precisar agir de maneira bastante estratégica para conseguir dar o maior lance. O ideal é juntar o máximo de dinheiro possível para o lance (ou descontá-lo do próprio crédito da cota, se o grupo permitir), assim como esperar períodos do ano que sejam menos movimentados e em que as pessoas participantes tenham menos recursos para oferecer de uma só vez.

Do contrário, é necessário esperar o sorteio, que pode acontecer nos primeiros meses ou somente na última assembleia do consórcio.

Uma vez que haja a contemplação, o participante pode solicitar a liberação da carta de crédito, mas ela não acontece de maneira imediata. Somente quando o valor estiver liberado é que ele pode ser utilizado para fazer a aquisição do bem desejado e estabelecido em contrato, então, isso também deve ser levado em conta.

Aquisição indireta

Por falar na aquisição, é preciso notar que, quanto ao funcionamento, a carta de crédito promove uma aquisição indireta. Isso significa que o valor é, na verdade, utilizado pela administradora para adquirir o bem desejado.

Com isso, o valor não cai diretamente na conta do contemplado, mas, sim, é utilizado para fazer a aquisição do que ele deseja. Essa medida é importante para evitar que os recursos sejam utilizados para bens distintos daqueles contratados — ou seja, uma carta de crédito imobiliário serve para comprar bens relacionados a imóveis, não podendo ser utilizada para outras finalidades.

Pagamento à vista

Se, por um lado, o contemplado não pode fazer a aquisição de maneira direta do bem ou serviço, por outro ele ganha muito poder de negociação. Como o pagamento é feito à vista, é possível conseguir descontos devidos à liquidez da operação.

Imagine, por exemplo, que o contemplado deseje adquirir um imóvel de R$ 200 mil. Porém, o imóvel está há algumas semanas no mercado e começa a dar sinais de que vai encalhar. Com isso, o proprietário começa a se preocupar com a desvalorização do bem e a potencial perda de dinheiro.

Diante disso, com a carta de crédito, é possível fazer uma proposta no valor de R$ 185 mil, alegando que o pagamento é feito à vista. Ainda que o proprietário não aceite a primeira oferta, é bem possível que o valor de venda final seja consideravelmente abaixo do valor inicial.

Como há riscos menores para quem vende, a oferta de dinheiro vivo e do valor integralmente à vista normalmente oferece descontos muito vantajosos, o que permite um uso ainda melhor da carta de crédito.

Como posso usar a carta de crédito

Tão importante quanto entender o funcionamento da carta de crédito é saber como ela pode ser usada. Como é ela que garante a aquisição do tão esperado bem, alguns cuidados são necessários e conhecê-los desde já torna todo o processo ainda mais fácil.

De uma maneira geral, para usar a carta de crédito, é necessário considerar etapas, como:

Confirmação de contemplação

A primeira etapa é ser, efetivamente, contemplado. Como dito, a contemplação ocorre por meio de sorteio ou lance, o que aumenta as possibilidades de poder usar o valor em questão.

Imagine, por exemplo, que você fez o lance vencedor para obter a carta de crédito. Nesse caso, a administradora vai informar os contemplados e, logo em seguida, entrará em contato com quem conquistou a carta de crédito.

Nesse caso, você deverá fazer o pagamento do maior lance para, então, ter a sua contemplação confirmada. No caso de um sorteio, é necessário estar adimplente no consórcio, o que significa estar com todos os pagamentos mensais em dia.

Apresentação de documentos

Em seguida, é exigida a apresentação de diversos documentos, o que pode variar em cada administradora. Essa etapa é muito importante porque ela vai ajudar a oferecer mais segurança para que o contemplado continue fazendo o pagamento das parcelas do consórcio e para que esteja em situação regular para utilizar o valor.

Esses documentos passam por uma análise de crédito, que, se for aprovada, resulta no uso do valor em questão como desejado. Dependendo do caso, pode ser necessário fazer a apresentação de documentos mais atualizados ou que complementam a documentação inicialmente apresentada.

O ideal é conhecer de maneira prévia todos os documentos exigidos pela administradora para separá-los antes mesmo da contemplação. Isso vai diminuir o tempo necessário entre fazer a solicitação da carta de crédito e sua aprovação, garantindo que você compre o bem o mais rápido possível.

Se for necessário regularizar qualquer documentação ou situação de crédito, isso deve ser feito o mais rápido possível e antes do envio de documentação. Do contrário, a administradora negará o crédito e essa situação terá que ser resolvida posteriormente, de qualquer maneira.

Em caso de dúvidas ou de demora na aprovação e liberação do crédito, o ideal é contatar a administradora para esclarecer o que falta para que o crédito seja aprovado e carta de crédito liberada.

Pagamento em dia das parcelas

Nessa fase de liberação do crédito, é importante ter em mente que além da documentação, é necessário estar em dia com o pagamento das parcelas do consórcio. Cada administradora tem suas próprias regras, mas, em geral, esse é um fator que pode gerar a descontemplação.

Funciona assim: se você é contemplado e tem, por exemplo, três parcelas atrasadas, mesmo que a sua documentação esteja adequada, você será descontemplado. Isso significa que mesmo tendo dado o maior lance será necessário esperar outro sorteio ou vencer outro lance.

Se à época da nova contemplação você ainda estiver inadimplente, novamente a sua contemplação será cancelada, até que você esteja totalmente regularizado. Por isso, é muito importante fazer o pagamento em dia das parcelas para poder usar a carta de crédito da maneira adequada e no momento da contemplação.

Escolha do bem desejado

Deu tudo certo? Então, o próximo passo consiste em escolher qual é o bem desejado. Com a carta de crédito, a administradora vai adquirir o bem do seu interesse, desde que tudo esteja de acordo com o que está previsto em contrato. Dentre as possibilidades de uso da carta de crédito estão questões como:

Imobiliário

A carta de crédito imobiliário pode ser utilizada para a aquisição de bens ligados ao mercado de imóveis. É o caso, por exemplo, de usar a carta de crédito para comprar um imóvel novo, usado ou na planta.

Também é possível comprar um terreno e/ou os materiais de construção para levantar um imóvel ou mesmo adquirir os materiais para a reforma de um imóvel que já existe. Para empresas, é possível adquirir imóveis comerciais para uso próprio ou aluguel. Isso oferece muita flexibilidade para o uso do dinheiro, atendendo a diversas possibilidades.

Veículos

Quer trocar de carro ou comprar aquela moto que você sempre sonhou? Então, é possível utilizar a carta de crédito para isso — no caso de um consórcio de veículos. Nesse caso, dá para comprar um veículo novo ou seminovo à sua escolha, desde que dentro do valor especificado.

É uma opção muito conveniente para ter o bem motorizado que você deseja e ainda conseguir alguns descontos e adicionais por pagar à vista.

Serviços

Embora seja menos comum, também dá para usar a carta de crédito para fazer a contratação de serviços diversos. É o caso de quem contrata um consórcio para pagar uma viagem, para financiar os estudos ou até mesmo para pagar cirurgias plásticas.

É uma opção para quem não deseja ou não consegue juntar dinheiro e também não tem a intenção de ficar com grandes dívidas em longo prazo.

Atenção às regras

Ao mesmo tempo em que você for fazer a escolha do seu bem, é fundamental se atentar às regras estabelecidas pelo consórcio. Como um dos pontos consiste em realizar uma compra que possa ser comprovada — como pela apresentação de nota fiscal ou escritura de imóvel — é fundamental se atentar a essas regras. Não é possível, por exemplo, comprar um imóvel sem escritura ou que esteja alienado e que não possa ser vendido legalmente.

A administradora também pode estabelecer regras próprias como em relação ao estado do bem ou ao processo de compra em si. Por isso, é importante ler o contrato e ter atenção a todas as regras para garantir que esse processo seja o mais simples possível.

Ao mesmo tempo, o contrato não obriga o participante a adquirir exatamente o bem que determinou no início. Por exemplo: imagine que você disse à administradora que queria comprar um determinado modelo de carro. Porém, quando chega a contemplação, há um novo modelo que você deseja adquirir.

Desde que se trate de um carro — no caso de um consórcio de automóvel — e que o valor seja condizente, você não é obrigado a fazer a aquisição do específico modelo dito inicialmente.

Para imóveis, isso é ainda mais importante, já que entre o período de escolha e de contemplação o imóvel pode ter sido vendido ou se desvalorizado, levando à escolha de outra unidade.

Negociação com o vendedor

Muito embora o participante do consórcio não faça a aquisição em si, ele é quem deve realizar toda a negociação — afinal, quem é que não gosta de uma oferta imperdível para comprar aquilo que sempre quis?

Considere a seguinte situação: você foi contemplado em um consórcio e está prestes a usar sua carta de crédito. Tratando-se de um consórcio imobiliário, você decide adquirir um imóvel usado.

Nesse caso, é necessário entrar em contato com o proprietário — e com a imobiliária, se for o caso — e esclarecer que você foi contemplado em um consórcio e que tem o valor, em dinheiro, para oferecer para a compra do imóvel. Baseando-se em uma avaliação do valor de mercado, você faz uma proposta. Depois de um período de negociação, o vendedor aceita o valor e, com isso, o contrato está pronto para ser assinado, faltando apenas o pagamento.

Isso vale, também, para a compra de carro ou moto, assim como para a compra de um imóvel na planta ou de materiais de construção. Cabe ao participante encontrar e negociar as melhores condições de compra de modo a fazer o valor da carta de crédito ser o mais bem utilizado possível.

Passe informações sobre o bem para a administradora

Depois que tudo isso estiver definido, o participante deve contatar a administradora para repassar todas as informações relativas à aquisição do bem desejado. É necessário, por exemplo, informar as condições dele, o valor, a localização e outros pontos relacionados.

Também é nesse momento que são informadas condições de pagamento. Quem vai reformar a casa, por exemplo, pode escolher fazer metade do pagamento de maneira adiantada e a outra na hora em que os produtos são recebidos.

A administradora precisa ser informada sobre todas essas questões, assim como ter todos os dados e documentos referentes à transação. De uma maneira geral, ela fica responsável apenas por efetuar o pagamento.

Complementação do valor

Dependendo do caso, é possível que você escolha um bem cujo valor esteja acima do valor da carta de crédito. O que acontece, então? Nesse caso, há duas possibilidades: ou você troca o bem desejado ou então você faz uma complementação do valor.

O jeito mais prático de fazer isso é utilizando recursos próprios. Se sua carta de crédito tem o valor de R$ 200 mil, e o imóvel desejado custa R$ 210 mil, a diferença pode ser paga em dinheiro.

Porém, no caso de consórcio imobiliário, você pode utilizar o FGTS para complementar o valor e, assim, conseguir comprar um bem de valor mais elevado. Dependendo da quantidade de recursos que você possui associado ao fundo de garantia, é possível ampliar a sua capacidade de pagamento da carta de crédito, tendo acesso a opções de compra ainda melhores.

Porém, note que essa não é uma etapa obrigatória — é apenas uma possibilidade para quem deseja fazer uma compra maior do que a prevista pelo consórcio. Se não for o seu caso, não é necessário complementar os recursos de nenhum modo.

Uso parcial para despesas

A compra de um bem normalmente inclui o pagamento de algumas despesas. No caso de um imóvel usado, por exemplo, há custos relacionados à escritura, ao Imposto de Transferência de Bens Imóveis e à documentação em geral. A compra de um carro também traz custos como emplacamento, pagamento de impostos e outras questões.

Pensando nisso, é possível utilizar até 10% do valor da carta de crédito para cobrir esse tipo de despesa. Por exemplo, com uma carta de crédito de R$ 200 mil, você pode usar R$ 180 mil para comprar o imóvel e o restante para fazer o pagamento de toda a documentação.

Isso garante que não seja necessário lidar com despesas imprevistas que comprometem o orçamento e que podem, até mesmo, inviabilizar a compra.

Uso posterior da carta de crédito

Um ponto interessante para conhecer sobre o uso da carta de crédito diz respeito ao fato de que não é obrigatório utilizá-la no momento recebido. Imagine, por exemplo, que você foi contemplado no meio do consórcio. Porém, deseja esperar os preços dos imóveis baixarem um pouco mais antes de fechar negócio.

Nesse caso, é possível deixar a carta de crédito contemplada em suspenso até o momento final do consórcio, que acontece na última assembleia e, portanto, na última contemplação.

Para evitar que o valor seja corroído ao longo do tempo, o dinheiro fica aplicado em um fundo com liquidez, segurança e boa rentabilidade. Isso garante que o seu poder de compra se mantenha o mesmo até o momento de fazer a aquisição do bem desejado.

Porém, para que essa espera seja possível, é importante não realizar o processo de pedido de liberação do crédito. Em geral, uma vez que o crédito é aprovado, você tem um período determinado para usar o valor, então, se quiser esperar, o melhor é não fazer nada até o momento que for mais conveniente.

Para usar a carta de crédito do seu consórcio é preciso, em primeiro lugar, ser contemplado, o que pode acontecer por sorteio ou pela oferta do maior lance. Uma vez que isso aconteça, é preciso realizar a liberação do crédito, o que exige a apresentação da documentação pedida pela administradora.

Em seguida, os próximos passos incluem a escolha do bem, a negociação com o vendedor e, por fim, a aquisição do imóvel, veículo ou serviço que você tanto deseja, de maneira simples e segura.

Assim, ao conhecer como usar essa carta fica mais fácil ter o que você deseja de maneira prática e, de quebra, ainda aproveitar descontos e melhores condições de compra.

Para acelerar o processo de utilização dessa carta de crédito, conheça os tipos de lance em consórcios para encurtar o tempo de contemplação!