Meu Primeiro Carro

Quilometragem adulterada: como identificar em um seminovo

O carro que você quer comprar aparenta ter rodado mais do que consta no painel? Cheque se ele não foi adulterado!

Imagine a situação: você vai comprar um carro seminovo e, na hora de escolher o veículo, fica em dúvida se ele está com a quilometragem adulterada.

Pegar um automóvel seminovo tem muitas vantagens. Conseguir preços atrativos é uma delas. Mas esse tipo de compra pode esconder armadilhas, caso o carro não possua boa procedência ou tenha defeitos camuflados.

Por se tratar da aquisição de um bem durável, que vai ficar com o proprietário por alguns anos, é recomendável que o comprador avalie o custo-benefício do modelo desejado. Além disso, ter o auxílio de um mecânico ou de uma empresa especializada para emitir um laudo técnico antes de fechar negócio será muito bom.

Para alterar a quilometragem, os golpistas usam vários meios "inteligentes" para tentar enganar. O segredo é ser mais inteligente do que eles. Para isso, apresentamos a seguir várias sugestões de como você mesmo pode checar se o veículo pretendido possui ou não quilometragem adulterada. Confira nossas dicas e não seja passado para trás!

Esteja atento aos papéis

Documentação

Uma maneira de checar a procedência de um carro é conferir a situação nos órgãos oficiais, como o Departamento Estadual de Trânsito (Detran). Com o Certificado de Registro e Licenciamento de Veículo (CRLV) em mãos, é possível averiguar o ano de fabricação e o ano de modelo do automóvel.

Nesse documento, de porte obrigatório pelo motorista, ainda deve constar a cor predominante do bem, o número da placa e do chassi, o tipo de combustível, além de informações ligadas às características do veículo, como quantidade de portas, potência, entre outros.

No CRLV ainda pode constar alguma observação relacionada à situação de pagamento do carro, como uma eventual alienação fiduciária, quando o bem financiado ainda não foi totalmente quitado.

Como pode existir a possibilidade de falsificação do documento, o potencial comprador deve utilizar o número da placa e o do Registro Nacional de Veículos Automotores (Renavam) para consultar a regularidade do carro no sistema do Detran. Dessa forma, será possível comprovar as informações do CRLV e checar se o automóvel possui infrações não pagas.

Vale lembrar que hoje em dia há aplicativos de celular que oferecem esta consulta, para que o usuário se sinta mais seguro na hora de adquirir um veículo seminovo ou usado. Ou, você pode simplesmente acessar o Google, digitar "detran" e o estado que consta na placa do veículo. Desse modo, é possível encontrar no site a opção de verificação por meio do número da placa.

Confira o manual do proprietário

Se o dono anterior tiver sido o mínimo cuidadoso, é provável que o manual ainda exista. Ele é importante para verificar as revisões realizadas no automóvel. Se for feita na concessionária, é batido um carimbo no manual constando a data da revisão e a quilometragem no momento. Se tiver sido realizada em oficina, exija as notas fiscais do procedimento.

Histórico das trocas de óleo

Em alguns casos, no momento da troca é colado um adesivo em algum lugar no interior do carro informando a quilometragem. Alguns mal-intencionados fazem alteração na quilometragem e se esquecem desse detalhe comprometedor.

No porta-luvas é possível encontrar notas fiscais da troca de outros itens. Alguns itens, como correias, bateria, mangueiras, amortecedores não costumam ser substituídos em veículos seminovos. Fique atento!

Avalie o desgaste do carro para detectar uma quilometragem adulterada

Como é um bem que fica exposto às intempéries e às condições do próprio uso, o automóvel sofre com o desgaste dos componentes ao longo do tempo. Nesse aspecto, algumas partes do veículo tendem a demonstrar os efeitos da utilização prolongada.

De olho no interior

Soleiras das portas, marcas de desgaste nos pedais, nas maçanetas e na alavanca do câmbio e densidade da espuma do assento do motorista podem dar indícios do real tempo de uso do veículo. Por isso, antes de confirmar a compra, é importante analisar com cuidado esses detalhes.

É de se esperar que um carro abaixo dos 50.000 km rodados esteja com esses itens em excelente estado de conservação.

Em geral, todas as partes do carro que sofreram com o atrito, sejam entre si, com os passageiros ou alguma carga, transparecem o desgaste. Nesse caso, o estado de conservação dos bancos e dos carpetes pode indicar, por exemplo, se o carro é seminovo ou usado. A propósito, você sabe a diferença entre essas duas fases de um veículo?

Via de regra, o automóvel seminovo é aquele que possui somente um proprietário, tem até três anos de uso e cerca de 20 mil quilômetros rodados. Ao superar esses limites, diz-se que o automóvel é usado.

Fique atento aos detalhes exteriores

Riscos na lataria, arranhões nos para-choques e nos espelhos retrovisores laterais, pontos com ferrugem (principalmente sob o assoalho), manchas causadas pelo sol, também são excelentes indicativos do quanto o carro sofreu com o uso e com o tempo.

Debaixo do capô

Ainda ao analisar o veículo, busque ver como está a situação visual do motor. Se externamente o automóvel demonstra sinais de uso, mas o propulsor estiver bem limpo, é sinal de que ele foi lavado, talvez para tentar esconder possíveis defeitos ou vazamentos.

Por isso, alguns compradores até preferem encontrar um pouco de sujeira sob o capô, para se assegurar de que não houve modificação no motor. Por sinal, se houver parafusos novos em peças desgastadas ou marcas de aperto, é indício de que o propulsor pode ter recebido algum reparo.

Além de "cantar", o pneu tem muito a dizer

Fique atento à situação deles. O conjunto de pneus dura entre 40.000 e 60.000 km. Ou seja, se o carro que você está de olho possui menos que isso, é de se esperar que ele esteja com os pneus originais. Como descobrir?

É possível descobrir se o pneu é o mesmo que saiu da fábrica ao conferir a data. Na parte externa, há a sigla DOT (Departamento de Transporte) e, após ela, você encontrará 4 números. Os dois primeiros indicam em qual semana do ano o pneu foi produzido e os dois últimos informam qual foi o ano. O ano de fabricação do carro deve coincidir com o do pneu.

Tenha referências e questione o vendedor

Uma pessoa leiga com relação ao mercado automotivo pode realmente sentir dificuldade para identificar se um carro tem ou não quilometragem adulterada.

Ainda assim, para não cair em armadilhas, é recomendável que você veja atentamente os veículos de amigos e parentes, que tenham tempo de uso e quilômetros rodados distintos, para ter referenciais comparativos na hora de analisar o automóvel que pretende adquirir.

Ao entrar em contato com o vendedor, questione-o sobre o uso do carro, se particular ou empresarial, se para viagens longas ou para uso urbano e qualquer outra pergunta que você julgar pertinente. Note que, em média, um carro utilizado na cidade roda aproximadamente 15 mil quilômetros por ano.

Com os dados do hodômetro (medidor de distâncias percorridas), do ano de fabricação do automóvel e com esse fator comparativo, você terá uma noção de quanto o veículo deveria ter rodado.

Mesmo assim, é importante checar com o vendedor quem utilizou o carro e como foi utilizado. Afinal, se o bem pertencia a uma pessoa idosa, que pouco saía de casa, por exemplo, é provável que tenha uma quilometragem reduzida.

Busque ajuda profissional

Pode até parecer difícil prestar atenção a todos esses aspectos na hora da compra. Ser um pouco mais observador que o normal já é suficiente para perceber os problemas mais evidentes. Mas ir em busca de profissionais vai dar a você mais convicção de estar escolhendo o modelo certo.

Chame aquele mecânico de confiança

Se você não tiver condições de verificar sozinho o tanto que o veículo desejado já rodou, pode ser útil contar com o auxílio de um mecânico de confiança, para que ele possa dar um diagnóstico mais preciso do estado de conservação do automóvel.

Leve o carro em empresas de vistoria

Além disso, também é possível contratar o serviço de empresas que fazem a inspeção veicular e emitem laudos técnicos sobre a situação dos carros. Com esse relatório, a pessoa pode fazer uma aquisição mais segura ou, conforme o caso, solicitar um desconto para o vendedor ou até abandonar o interesse por um carro com quilometragem adulterada.

O scanner de diagnóstico

O módulo central do carro não vai mentir. Ele mostrará a quilometragem real percorrida pelo veículo. Para fazer a leitura dos dados, é usado o scanner de diagnóstico.

E lembre-se: se o vendedor ou proprietário demonstrar alguma resistência para que o automóvel seja analisado por um profissional, você terá motivos para ficar com a pulga atrás da orelha.

Ao conhecer todas essas dicas, você agora já pode fazer uma verificação visual de um automóvel e, dessa forma, ter uma noção se o estado de conservação dele realmente está adequado aos dados do hodômetro ou se há possibilidade de quilometragem adulterada.

Além disso, é importante que você adquira o seu carro em uma loja que deixe claro a procedência dos modelos e que tenha tradição no mercado. Assim, você aumenta as chances de fazer uma negociação sem dores de cabeça no futuro.

Se você está sonhando em ter seu primeiro carro e tem receio do impacto financeiro que isso pode causar, recomendamos que você leia o post "Saiba escolher o carro ideal para a sua situação financeira".

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