Planejamento Financeiro

Consumismo infantil: como trabalhar com os filhos naturalmente?

Deseja reduzir os gastos e o consumo dos filhos? Saiba como isso é possível com orientação e planejamento!

 

O consumismo infantil é um assunto delicado e que exige certo tato ao ser abordado. Por mais que seja de conhecimento comum, a importância da educação financeira, o fato é que, quando se trata do consumo infantil, os pais tendem a ceder aos desejos de seus filhos.

Em grande parte das vezes, a influência de amigos da escola ou de propagandas na televisão e na internet fazem com que a criança deseje constantemente renovar o estoque de brinquedos e eletrônicos.

Cabe aos pais mostrar a viabilidade desse consumo e colocar os limites que a criança precisa aprender para manter, ao longo da vida, o hábito de um consumo mais consciente.

Ainda que o assunto finanças pessoais seja considerado complexo e de difícil abordagem para o público infantil, é possível levantar algumas questões sobre o tema e trabalhar as consequências tanto para a estabilidade da família quanto para a vida adulta mais tarde.

Tal prática consegue trazer benefícios não só para a criança, mas, também, para os pais que podem contar com os filhos como aliados na manutenção de uma economia doméstica saudável e equilibrada.

Quem deseja fazer um planejamento financeiro com a participação do seu filho precisa usar exemplos práticos que ajudem a visualizar a reação da criança e as vantagens geradas.

Listamos algumas práticas que podem te ajudar na realização dessa tarefa de forma natural. Confira!

Uso da mesada educativa

A mesada educativa é uma boa forma de iniciar o contato da criança com dinheiro e sua administração. A mesada pode estar relacionada ao cumprimento de obrigações em casa, como arrumar a cama e lavar a louça.

Assim, cria-se um senso de responsabilidade e de merecimento. Além disso, a não realização das tarefas pode ocasionar uma diminuição do valor pago, mostrando as consequências financeiras que a desobediência é capaz de trazer.

É desaconselhado, porém, atrelar a remuneração a obrigações, como ir bem no colégio ou se comportar no teatro. Isso porque essas devem ser práticas estimuladas para uma boa convivência e, por isso, não são dignas de remuneração.

As atividades domésticas, por outro lado, começam a criar a percepção de que o dinheiro é resultado do trabalho e não de uma “mágica” que deixa a carteira do pai ou da mão abastecida.

Um livro que aborda esse assunto é “Smart money, smart kids” (Dinheiro inteligente, crianças inteligentes) do guru norte-americano de finanças pessoais Dave Ramsey. O autor é pai de três filhos e conta na obra suas principais estratégias para abordar a questão financeira de acordo com as diferentes fases da vida de cada um.

A revista Época Negócios entrevistou Ramsey em 2014 e fez algumas das perguntas que muitos pais fazem na hora de educar financeiramente os filhos. Vale a leitura para esclarecer algumas dúvidas sobre o assunto!

Adoção de recompensas não financeiras pelo bom comportamento

Uma boa alternativa de recompensar as crianças e, ao mesmo tempo, não incentivar o consumismo infantil é oferecer gratificações não financeiras pelo bom comportamento.

Seguindo a linha de raciocínio relatada no tópico anterior — de que as obrigações não devem ser recompensadas — leia-se bom comportamento como algo que a criança realizou e que está acima dos seus deveres.

Assim, tirar a nota máxima em uma prova, ajudar um idoso a atravessar a rua ou auxiliar um novo colega na adaptação à escola são exemplos de atividades que devem ser reconhecidas.

Dito isso, quando a criança apresentar algum comportamento digno de recompensa, o ideal é sugerir um passeio ao parque ou à praia, fazer seu prato preferido ou realizar uma viagem rápida para uma cachoeira, por exemplo. O segredo é investir em experiências e não em objetos ou itens materiais.

Compartilhamento dos brinquedos entre irmãos

O compartilhamento de brinquedos entre irmãos é outra forma de desestimular o consumo excessivo entre as crianças. Em casos de filhos únicos, a prática pode ser exercida com primos ou colegas da escola.

Presume-se que, com o compartilhamento, as noções de divisão e reutilização também sejam desenvolvidas, além de diminuir a necessidade de gastos e locais de armazenamento para tantos brinquedos.

Os conceitos de sustentabilidade também podem ser explicados, bem como a noção de que uma pessoa que tem muitas coisas em casa acaba não conseguindo aproveitar todas elas.

Não faz sentido ter o mesmo item em casa se esse é um desejo em comum dos irmãos. É preciso estimular a brincadeira em conjunto ou estabelecer dias da semana em que cada um tenha prioridade de uso.

Incentivo à doação de objetos que a criança não usa mais

Muitas crianças se sensibilizam com moradores de rua ou pessoas que visivelmente não têm as mesmas oportunidades que elas. É importante conscientizar seu filho das diferentes realidades e, a partir disso, incentivá-lo a doar itens que ele não usa mais.

Pelo menos duas vezes ao ano, uma reorganização de roupas e brinquedos pode separar o que não está sendo muito utilizado e o que pode ser doado. Além de desestimular o consumo, essa é uma atividade que cria o senso de caridade e de cuidado com o próximo.

Estímulo da criança pelo exemplo

Um ponto muito importante e que às vezes é negligenciado pelos pais é o fato de que a criança aprende muito pelo exemplo. Dessa forma, é essencial evitar hábitos consumistas e práticas que podem distorcer tudo o que foi ensinado a respeito do assunto.

Ainda que seja uma tarefa constante e algumas vezes desafiadora, quem deseja desestimular o consumo em seus filhos deve começar por si mesmo.

O consumismo infantil pode ser combatido com orientação, planejamento e participação da criança. A conscientização dos gastos e da necessidade de poupar vai proporcionar maior controle financeiro para o adulto do futuro.

O blog Clube dos Poupadores disponibiliza, para os pais que têm maior dificuldade de determinar valores de mesada e recompensas, uma planilha com informações sobre como calcular a mesada.

Os gastos que um filho traz são altos e precisam ser controlados de forma correta para que isso não represente um desequilíbrio nas contas domésticas.

Se você se identificou com o tema e quer mais dicas, confira nosso artigo sobre educação financeira infantil .

As informações que constam nesse artigo podem sofrer atualizações sem aviso prévio.