Entenda mais sobre o conceito de sustentabilidade social nesse post

A sustentabilidade social é um conceito muito discutido atualmente. Você sabe do que se trata? Leia este post e entenda!
  • Atualizado em April 17, 2020
  • Publicado em April 12, 2019
  • Sustentabilidade

A sustentabilidade social é um conceito que tem sido muito discutido atualmente. O modelo de negócios em que o lucro está acima de tudo está se tornando defasado, e a responsabilidade com o impacto causado na sociedade faz cada vez mais parte das preocupações empresariais.

Porém, como quase tudo que é novo, ainda há muitas dúvidas sobre o que é realmente a sustentabilidade social ou o que é apenas ação de marketing para maquiar práticas ruins. Pensando nessa dúvida, vamos falar mais sobre o assunto neste post. Confira!

O que é sustentabilidade social?

As primeiras menções à sustentabilidade social surgiram em 1972, e o tema ganhou força com a publicação do Relatório Brundland, também conhecido como relatório "Nosso Futuro Comum", publicado em 1987 pela Comissão Mundial sobre Meio Ambiente, e do documento Agenda 21, um dos principais resultados da conferência Eco-92, que aconteceu em 1992.

A sustentabilidade social pode ser compreendida como a capacidade de gerar renda sem perder o foco na redução das diferenças sociais a fim de melhorar a qualidade de vida da sociedade. Para alcançar tal objetivo, é necessário harmonizar a exploração dos recursos, o desenvolvimento tecnológico e as mudanças institucionais focadas no bem-estar social.

Qual é a importância da sustentabilidade social nas empresas?

A sustentabilidade social é importante para toda a comunidade, independentemente da classe social. A busca pela qualidade de vida envolve melhorias em diversos aspectos, como transporte público, saúde, educação, segurança e lazer.

É importante ressaltar que a responsabilidade social está intrinsecamente ligada à preservação do meio ambiente. Afinal, a preocupação com o impacto que as operações de determinada empresa gera na comunidade em que ela está inserida tem sido constantemente alvo de diversas discussões.

Além de evitar tragédias e situações condenáveis, já ficou comprovado que os consumidores valorizam mais as empresas que se comprometem com a sustentabilidade. De acordo com um levantamento do Sistema Fiep, 87% dos consumidores brasileiros preferem comprar de marcas sustentáveis.

Mas essa não é uma tendência apenas no Brasil. Uma pesquisa recente mostrou que 81% dos consumidores europeus também estão dispostos a mudar os seus hábitos de consumo, o que consequentemente reflete na escolha das marcas. E não para por aí: segundo a mesma pesquisa, cerca de 30% a 40% dos europeus ainda afirmam que estão dispostos a pagar um pouco mais, se for necessário, para levar para casa produtos mais sustentáveis.

O que é a ISO 26000?

Em 2010, foi aprovada a Norma ISO 26000, que trata da implementação e da manutenção do Sistema de Gestão da Responsabilidade Social (SGRS).

Tal norma determina que a responsabilidade social é expressa por meio do desejo e do propósito que as organizações apresentam em incorporar as considerações socioambientais em seus processos decisórios. Além disso, inclui a responsabilidade pelos impactos das suas decisões e atividades na sociedade e no meio ambiente.

Ou seja, para alcançar tais objetivos, as corporações precisam apresentar "um comportamento ético em relação ao cumprimento das normas legais e sociais ligadas ao trabalho forçado, ao trabalho infantil, à saúde ocupacional e segurança, ao direito de negociação e de associação coletiva, à discriminação, às práticas disciplinares e à jornada de trabalho e aos salários dignos a fim de contribuir para o desenvolvimento sustentável".

Quais são os princípios da sustentabilidade social?

De acordo com a ISO 26000, a sustentabilidade social apresenta os seguintes princípios:

  • accountability: por uma decisão institucional, optou-se pela não tradução desse termo, que se refere ao ato de responsabilizar-se pelas consequências das suas ações e decisões, respondendo pelos impactos negativos e positivos causados na sociedade;
  • transparência: fornecer aos interessados, de maneira clara e compreensível, todos os fatos que possam afetá-los;
  • comportamento ético: é a adoção de práticas tidas como corretas pela sociedade, baseadas nos valores da honestidade, equidade e integridade perante as pessoas e a natureza;
  • respeito pelos interesses das partes interessadas (stakeholders): ouvir, considerar e responder aos interesses das pessoas ou grupos ligados às atividades da organização;
  • respeito pelo Estado de Direito: respeito e cumprimento integral da legislação;
  • respeito pelas Normas Internacionais de Comportamento: é a adoção de tratados e de acordos internacionais favoráveis à responsabilidade social, mesmo que não exista obrigação legal;
  • Direitos Humanos: o reconhecimento da importância dos Direitos Humanos, da legislação internacional e dos acordos e tratados, zelando para que a atividade empresarial não agrida direta ou indiretamente nenhuma comunidade.

Como aplicar a sustentabilidade social no dia a dia?

A aplicabilidade da sustentabilidade social não deveria ser algo difícil, uma vez que basicamente é necessário agir de maneira ética seguindo a legislação.

Portanto, nossas práticas individuais são determinantes para uma mudança de comportamento na sociedade e um impacto positivo no mundo. A forma como consumimos é uma das maneiras de cobrarmos das empresas que elas tenham uma produção sustentável.

Veja o que está acontecendo com a questão dos canudos de plástico, por exemplo. O seu uso passou a ser questionado por alguns ativistas ambientais e, a partir disso, cidades como o Rio de Janeiro proibiram a utilização deles em estabelecimentos comerciais.

O mesmo tem acontecido com a utilização do glitter no carnaval, com a produção de lixo impensada, com a substituição de copos descartáveis por copos reutilizados, entre outros.

A maneira como consumimos nossas roupas, alimentos e lazer é capaz de causar impactos positivos ou negativos na comunidade, mesmo que imperceptíveis em curto prazo. A seguir, falamos melhor sobre alguns pontos que você pode começar a levar em consideração quando for comprar algo.

Trabalho em condição análoga à de escravidão

Frequentemente, denúncias de marcas que fazem uso do trabalho em condição análoga à de escravidão chegam ao conhecimento do público.

Se você estiver na dúvida se determinada empresa faz uso da prática, basta fazer uma busca pela internet para descobrir se há algum envolvimento. Se tiver, evite e dissemine a informação. A globalização nos proporcionou muitas coisas boas, porém, manteve e ainda estimulou práticas condenáveis em pleno século 21.

No entanto, não acredite no pensamento de que não há nada a ser feito e de que as coisas serão sempre da mesma maneira. As marcas estão cada vez mais antenadas à mudança nos hábitos de consumo e revendo sua maneira de produzir. Ponto para o planeta e para a sustentabilidade social!

Impacto ambiental

Como falamos, a sustentabilidade social tem completa ligação com o meio ambiente. Portanto, analise o impacto que a empresa causa ao meio ambiente antes de consumir seus produtos e serviços. Se ele for negativo, procure outras opções.

Funcionários diversificados

Se você tem acompanhado as discussões atuais, com certeza deve estar por dentro sobre os seguintes fatos:

Todas essas afirmações são baseadas em fatos e em estudos, ou seja, por mais que pareçam improváveis em pleno 2020, elas são reais. Então, se você está preocupado com a sustentabilidade social do seu consumo, passe a prestar atenção nas empresas que contrata, das quais consome e que admira.

Como está a representatividade dentro das operações da corporação? Eles apenas fazem propagandas sobre empoderamento feminino ou realmente contratam e respeitam mulheres em sua rotina?

Quais empresas são conhecidas pelo seu compromisso com a sustentabilidade social?

Algumas empresas são reconhecidas pelos seus trabalhos comprometidos com a sustentabilidade social ao seu redor. Elencamos algumas nos tópicos abaixo.

Natura

A Natura é pioneira quando o assunto é responsabilidade social e ambiental. Em 2010, ela fundou o Instituto Natura, no qual desenvolve diversas iniciativas voltadas para o assunto. Em 2019, ela figurou entre as 100 empresas com as melhores práticas de sustentabilidade corporativa no mundo.

As suas medidas são conhecidas pelos seus clientes, como as listadas a seguir:

  • os esforços para minimizar a pegada de carbono, que a tornou uma empresa carbono neutro ainda em 2007;
  • priorização de reciclados e de recicláveis em suas embalagens;
  • o lançamento do Programa Amazônia, ainda em 2011, que fomenta negócios sustentáveis na região Amazônica, entre outros.

Fundação Bradesco

A Fundação Bradesco foi criada em 1956 pelo fundador da Organização Bradesco, com a intenção de proporcionar educação e profissionalização a crianças, jovens e adultos. A iniciativa deu tão certo que perdura até hoje e já beneficia mais de 90.000 alunos, atuando em 40 escolas. R$ 7,374 bilhões é o valor investido para o custeio de suas atividades nos últimos dez anos.

Demodê Ateliê

Engana-se quem pensa que apenas grandes conglomerados podem e devem pensar em sustentabilidade social. Marcas menores nascem com frequência falando sobre a necessidade de consumir e produzir com sustentabilidade.

Esse é o caso da Demodê Ateliê, nascida em São Luís do Maranhão, da mão de mulheres, que tem como objetivo o fortalecimento da cultura do algodão orgânico que já nasce colorido e das rendas manuais feitas pelas comunidades locais.

Timirim Brasil

E tem sustentabilidade social até mesmo para vestir os pequenos. A Timirim Brasil é uma marca que se dedica à criação de roupas sustentáveis para as crianças, fazendo uso de algodão orgânico e fornecedores selecionados.

Instituto Chão

O Instituto Chão apresenta-se como um espaço de convivência e de economia solidária que visa experimentar novas formas de relação. Conta com uma feira, uma mercearia e um café com produtos orgânicos e artesanais.

Tudo que é vendido por eles é repassado ao consumidor pelo preço da compra. Os clientes podem verificar os custos do Chão, como frete dos produtos, perdas, salários, taxas de cartão, aluguel, entre outras contas, que ficam expostos tanto no estabelecimento quanto em suas redes sociais, ou são enviados por e-mail para as pessoas que decidem se tornar aliados na missão.

A preocupação com a sustentabilidade social deve ser geral e pode ser aplicada em pequenas atividades do nosso dia a dia. Não pense que apenas grandes empresas são responsáveis pela mudança, pois a maneira como você consome impacta muito as decisões que as marcas tomam.

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