Tabela Fipe: como funciona e o que analisar ao comprar um seminovo?

O que é a tabela Fipe e como ela influencia os valores dos veículos seminovos? Leia o nosso artigo e tire suas dúvidas!
  • Atualizado em April 23, 2021
  • Publicado em February 14, 2018
  • Seu carro

Assim como não se pode falar em química sem citar a tabela periódica, não é possível conversar sobre automóveis seminovos sem mencionar a tabela Fipe. Seja na hora de contratar o seguro veicular, na hora de vender ou comprar um veículo, ou mesmo na conversa de fim de semana com os amigos, você já ouviu falar dela.

Muitos a conhecem e poucos a entendem. E se você não quiser tomar prejuízo ao comprar um carro seminovo, é melhor estar no time dos que entendem. Foi com esse objetivo que produzimos este texto, detalhando o que é a tabela Fipe.

Como funciona a tabela? De onde vêm os dados? Como saber o que vai ajudar você na hora de adquirir um carro usado? Antes da compra, o que é mais importante analisar? Quer descobrir as respostas dessas perguntas? Então, continue a leitura até o final do conteúdo e domine o assunto!

Como funciona a tabela Fipe?

A tabela Fipe funciona com atualizações mensais e apresenta a média de valores de carros, motos, caminhões e micro-ônibus. São levados em consideração apenas o modelo do veículo, a marca e o ano do modelo.

Você pode visualizar a tabela Fipe via internet, de forma bem simples. Para consultá-la e verificar o preço médio de carros, motos e caminhões, acesse o site e clique no ícone “índices e indicadores”. Logo após, é hora de escolher a opção “preço médio de veículos”.

Na página seguinte, é necessário selecionar a referência na tabela — isto é, o mês e o ano que servirão como parâmetros para a sua consulta. A partir daí, indique a marca, o modelo e o ano do carro. Após esses procedimentos, você vai obter o preço da tabela Fipe.

Como a tabela é construída?

A Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) coleta a cada mês os valores da venda de veículos. Entre os dados, são excluídos os valores que estiverem muito acima ou abaixo da média, visto que podem ser resultado de negociações incomuns. Também não são levados em conta a cor do veículo e a presença de acessórios.

Vale lembrar que não é o ano de fabricação, mas sim o ano do modelo, que é considerado. Entre os carros envolvidos na pesquisa são excluídos táxis, viaturas, veículos de frota e outros que não se enquadrem no uso comum.

De onde vêm as informações da tabela Fipe?

As pesquisas provêm de 24 estados brasileiros. E visto que nas diversas regiões do país a precificação varia bastante, a tabela Fipe não deve ser usada de forma arbitrária. É comum, por exemplo, que em determinados locais picapes tenham uma demanda maior, o que faz o seu preço de revenda subir. Em centros urbanos, o movimento tende a ser oposto.

Logo, a tabela atua apenas como um referencial. Além de ser usada na compra e venda de veículos, ela também aparece para determinar o valor de automóveis em seguradoras e para definir o valor do IPVA.

Além disso, alguns quesitos, como preços fora da realidade do mercado nacional, a falta de disponibilidade da tabela em algumas regiões específicas do país e o custo alto para estipular valores mais detalhados, podem impedir a precisão total dos preços praticados.

No entanto, a tabela segue como o conjunto de índices mais seguros para mensurar valores de forma adequada. Não à toa, ela é utilizada desde 1973 para ajudar tanto compradores quanto vendedores de automóveis.

Para que serve a tabela Fipe?

Com tanto tempo de mercado, a tabela Fipe foi adquirindo reputação e confiabilidade entre quem compra ou vende um veículo. Por isso, aos poucos ela foi ganhando uma série de utilidades, além de servir de referência de preços para os diferentes modelos de novos e usados disponíveis. Assim, vale recapitular algumas dessas principais funções:

  • servir como base na hora de pesquisar o preço de um veículo;
  • ajudar no cálculo do valor do IPVA;
  • indicar o preço médio de cada modelo de acordo com os preços praticados no mercado;
  • contribuir na definição das indenizações pagas pelos seguros;
  • permitir aos compradores ter uma noção melhor sobre quais são os veículos que atendem às suas necessidades financeiras.

Vale a pena explorar neste conteúdo a relação entre o preço que consta na tabela Fipe e os seguros, já que os valores definidos pela tabela são do interesse de todos os motoristas, mesmo aqueles que não estão comprando ou vendendo um veículo.

Como as seguradoras adotam a tabela Fipe, as variações nas cotações dos preços do veículo afetam diretamente o valor recebido como indenização no caso de sinistros (como roubos e acidentes) envolvendo os carros segurados.

Isso significa duas coisas: primeiro, o valor recebido pela indenização variará de acordo com o mês em questão. Segundo, em casos de perda total, o segurado não receberá necessariamente o valor que pagou pelo veículo, mas aquele indicado na tabela Fipe.

Como o preço da tabela Fipe pode ser consultado?

Consultar a tabela Fipe é simples. A fonte para os dados do levantamento é o já indicado no site oficial. Após acessá-lo, basta inserir os parâmetros do veículo para consultar seu valor de referência. Além disso, é possível fazer a consulta no seu smartphone, por meio do aplicativo da tabela Fipe. Ele está disponível para aparelhos com Android e iOS.

Sites especializados em automóveis também costumam replicar os valores apontados pela tabela Fipe. De qualquer forma, dê preferência às fontes oficiais, que estarão sempre corretas e atualizadas.

Como descobrir o código Fipe?

No site da tabela Fipe também é possível descobrir o código Fipe de determinado modelo, o que ajuda o motorista em futuras pesquisas, identificando cada modelo disponível no levantamento.

O caminho para isso também é simples. Ao fazer a pesquisa no site da tabela Fipe, o código Fipe aparecerá na tela próximo à cotação do veículo.

Como funcionam as correções da tabela Fipe?

Mês a mês são coletadas novas informações para a composição dos preços na tabela, o que pode fazer com que os valores indicados sejam corrigidos tanto para cima quanto para baixo. As razões que levam a essas variações são inúmeras.

Elas vão desde o estado de conservação dos veículos até a demanda por determinados modelos em diferentes locais e épocas do ano. As variações ainda podem ser decorrentes da situação da economia.

Pode acontecer, por exemplo, de os carros novos terem seus preços reajustados pelas montadoras. Isso aumenta a procura por modelos seminovos, elevando seu preço na média do mercado.

O que deve ser analisado na hora de comprar um seminovo?

É muito importante saber o que é preço Fipe e consultar a tabela para ter uma noção do valor do veículo. Além disso, é essencial que você já tenha definido quais são suas necessidades. E, quando encontrar um modelo atraente, verifique o estado de conservação, a documentação, o valor de revenda e o preço das manutenções.

Parece ser muita coisa a considerar — e, na verdade, é. Mas é justamente por não dar atenção a tudo isso que muitas pessoas acabam se tornando vítimas de golpes ou, no mínimo, perdem a oportunidade de fazer um excelente negócio.

Confira, a seguir, alguns pontos que devem ser analisados ao comprar um seminovo.

As suas necessidades

Talvez isso seja o mais importante a ser ponderado. Afinal, se um carro tiver um valor elevado, mas for o ideal para a sua situação, pode-se dizer que o seu capital foi bem empregado.

Por outro lado, se o carro for um modelo popular, mas não oferecer o que você precisa, a economia é em vão. Seria o mesmo que comprar um sapato apertado só porque ele está com um bom preço.

Então, antes de sair procurando por veículos na internet ou em lojas de seminovos, estabeleça o que o seu futuro carro precisa ter. Veja alguns itens para você decidir:

  • câmbio manual ou automático;
  • quantidade de lugares;
  • categoria do carro: hatch, SUV, minivan, picape, sedã;
  • piloto automático;
  • motorização;
  • tamanho do porta-malas.

O estado de conservação

Quando falamos em comprar determinado carro usado ou seminovo, geralmente a primeira pergunta feita é sobre a quilometragem. E isso faz todo sentido porque ela está intimamente relacionada com o grau de conservação do veículo. Ao olhar no interior, examine bem a situação do painel, do volante, dos carpetes, dos estofados, entre outros itens.

Na parte externa, é essencial verificar a situação da pintura. Porém, mesmo que ela não apresente nenhum sinal de corrosão, a parte de baixo do veículo pode estar comprometida. Por isso, é importante colocar o carro em uma rampa para ver se está tudo bem.

Muitos outros detalhes merecem atenção, e ainda há o risco de a quilometragem ter sido adulterada. Por isso, é importante prestar atenção para evitar esse golpe.

A documentação

Imagine a seguinte situação: você acaba de encontrar o possante que tanto queria, sem nenhum arranhão na pintura, com o interior bem conservado e, melhor ainda, com o preço abaixo da tabela Fipe. Só falta assinar os papéis e sair dirigindo, não é mesmo? Nesse momento de entusiasmo, muitos se esquecem de verificar a documentação.

O que parecia ser uma boa compra pode resultar em sérios problemas. A documentação pode estar atrasada e pode haver multas pendentes. Para investigar a situação, entre no site do Detran do estado do carro e realize uma busca usando os dados da placa e o número do Registro Nacional de Veículos Automotores (Renavam).

O valor de revenda

Aí está outra utilidade da tabela Fipe. Se a sua intenção não for ficar com o automóvel por muito tempo, é bom saber qual é a taxa de depreciação a cada ano. Em geral, carros populares desvalorizam menos e modelos importados ou que já saíram de linha sofrem maior perda. Falaremos mais sobre isso adiante.

As despesas com manutenção

Para encontrar boas informações sobre esse ponto, nada melhor do que contar com um mecânico de confiança ou um amigo que já tem o mesmo carro. Alguns modelos apresentam defeitos recorrentes, peças de reposição escassas e baixa aceitação no mercado. Fique de olho!

As despesas agregadas

Além de gastos com combustível e troca de óleo, outras despesas estão envolvidas, como o seguro e o IPVA. Tendo isso em vista, é bom consultar esses valores com antecedência.

Como a depreciação se relaciona à tabela?

Como a tabela oferece um valor de referência de acordo com diversos modelos e anos de fabricação, grande parte das pessoas a utiliza na hora de comprar e revender os seus veículos.

Os valores praticados também dizem respeito ao nível de depreciação adquirido por um veículo no passar dos anos. Podemos conceituar a depreciação como a queda nos preços dos automóveis em decorrência da oscilação econômica, desgastes ocasionados pelo uso e o próprio tempo de circulação daquele carro.

Caso você tenha um automóvel há mais de 10 anos, o preço médio que poderá estabelecer em uma negociação deve levar em conta a depreciação proporcional ocorrida nessa década.

É importante lembrar que o conceito não se aplica somente aos seminovos: um carro zero já começa a perder valor logo quando sai da concessionária.

Cálculo da depreciação

O cálculo da depreciação envolve uma série de fatores econômicos e financeiros. Dessa forma, ele pode ser um pouco complexo. Com isso, na prática, a depreciação deve ser calculada levando em conta o valor pago pelo veículo zero quilômetro e a cotação atual dele, transcorrido todo o período após a aquisição, tendo como referência a tabela Fipe ou outro indicador do mercado.

Porém, é importante ter em mente que esse cálculo é aproximado, até porque o valor do veículo é atrelado a um conjunto de variáveis, como suas condições gerais, seu tipo de uso, a região na qual se encontra, dentre outros. Além disso, alguns modelos podem depreciar mais do que outros.

Por isso, na hora de adquirir um seminovo, não considere apenas o preço Fipe, mas os elementos específicos do veículo que pretende comprar, para verificar se o investimento realmente vale a pena. Isso é ainda mais importante se você tiver interesse em revender o veículo futuramente, pois um carro já muito depreciado na hora da compra terá naturalmente um preço inferior na sua revenda.

Uma dica é priorizar automóveis que não apresentem indícios de corrosão, nem evidências de muitos consertos e amassados. Se o carro ainda contar com um número reduzido de quilômetros rodados, a tendência é que tenha mais valor.

Carros mais resistentes à depreciação

Os carros importados, de modo geral, sofrem uma depreciação mais rápida. A boa notícia é que os nacionais, mais baratos em média, tendem a manter o seu valor por mais tempo. Isso se explica pelo fato de que a própria manutenção dos veículos de fora é mais cara.

Quando falamos dos seminovos, a desvalorização do bem é menor caso a quilometragem ainda seja baixa e o veículo esteja bem conservado. É importante notar que os seminovos são os veículos rodados por, no máximo, 2 anos. Após esse período, eles passam a ser efetivamente classificados pelo mercado como carros usados.

Além disso, SUVs e caminhonetes sofrem uma depreciação mais rápida em relação aos veículos normais por conta das suas características, em especial porque esses veículos abrangem um público mais restrito.

A única circunstância na qual um veículo se torna mais valioso com o tempo é no caso de carros de colecionadores, principalmente aqueles que são mantidos em boas condições. Assim, é comum encontrar automóveis caríssimos dos anos 1960.

Como é possível fazer com que o veículo tenha um valor diferenciado?

Como mencionamos, carros bem cuidados acabam sofrendo menos com a desvalorização. Algumas dicas são valiosas na hora de adquirir um seminovo de alto nível. A primeira delas é: preste atenção à cor.

Essa não é uma mera questão estética, pois o verde e o preto têm liderado o ranking das cores que mais desvalorizam um veículo. Inclusive, automóveis em tonalidades mais escuras costumam esquentar em demasia em um país tropical como o nosso, além de destacar os possíveis riscos na lataria.

A região na qual o automóvel mais rodou também constitui um fator importante na hora de mensurar a valorização. Os veículos vendidos nas principais capitais do país apresentam valores maiores em relação àqueles comercializados no interior. Em uma capital importante como São Paulo, para citar um exemplo comum, essa diferença é ainda mais significativa.

Para finalizar, o ano de fabricação é outro fator relevante — talvez o principal. Na maioria dos casos, quanto mais novo e bem conservado for o veículo, maior é o seu preço. A exceção é aquele veículo mais procurado por colecionadores, como esclarecemos anteriormente.

Como observamos neste post, saber o que é preço Fipe é de grande importância na hora de buscar referências em relação aos preços dos veículos no país. Então, para acertar na compra do seu seminovo, não hesite em consultar a tabela Fipe e utilizar as informações que trouxemos neste artigo. Afinal, todo cuidado é pouco, não é mesmo?

Pensando em vender seu carro usado? Saiba o que considerar para fazer um bom negócio.
As informações que constam nesse artigo podem sofrer atualizações sem aviso prévio.
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