Vale a pena investir em criptomoedas? Veja os benefícios e entenda se você tem perfil

Confira tudo o que você precisa saber para decidir se vale a pena ou não investir em criptomoedas.
  • Atualizado em June 30, 2022
  • Publicado em June 30, 2022
  • Planejamento Financeiro

Se você navegou pela internet nesses últimos anos ou acompanhou as notícias sobre economia e o mercado, certamente deve ter se deparado com conteúdos sobre criptomoedas. Seja pela revolução que esse ativo pode gerar para as relações, seja pela possibilidade de investimento, são vários os textos, vídeos, podcasts, entre outras mídias abordando o tema.

Mas aqui neste artigo vamos tentar responder sobre um aspecto pertinente a esse tema: afinal de contas, vale apena investir em criptomoedas? Para isso, entre outros pontos, abordaremos o que elas são, quais os riscos e os benefícios dessa aplicação e o que você precisa saber para tomar essa decisão. Boa leitura!

O que são criptomoedas?

Para entender o que são criptomoedas é possível seguir vários caminhos. Primeiro, podemos percorrer uma definição mais ampla e genérica. Nesse caso, as criptomoedas são um tipo de moeda que existe apenas digitalmente e utiliza sistemas de criptografia para garantir a integridade das transações envolvendo o ativo.

Numa definição mais ampla, entender o que são as criptomoedas passa por compreender o papel de um banco central emissor na economia. Logo, pense o seguinte: nesse exato momento, o dinheiro que você tem na carteira ou nas suas contas bancárias têm valor porque todos acreditam nisso (desde a padaria da esquina até os maiores bancos) e por ele ser emitido por uma autoridade monetária.

Dessa forma, você pode ir até qualquer estabelecimento que aceita aquela moeda e comprar algo com o dinheiro que você tem no bolso, sem maiores questionamentos. É a autoridade que emitiu a moeda que garante o seu valor e faz com que pedaços de papel e metal possam ser trocados por outros itens.

Com as criptomoedas isso não acontece. Além delas serem criadas na internet e só existirem por lá, elas não dependem de um órgão regulador central para atestar o seu valor e garantir a efetividade de todas as transações. No sentido oposto ao que acontece com o dinheiro real, o processo é descentralizado e são os próprios usuários que garantem isso.

Mas como isso é feito na prática, para, entre outras coisas, evitar que a mesma unidade de moeda digital seja utilizada mais de uma vez, ao mesmo tempo? É nesse ponto que entra em cena o que para muitos é o maior avanço das criptomoedas: as redes de blockchain.

Redes blockchain

O nome (rede de blocos, na tradução) indica como esse sistema funciona. Esses blocos não são nada mais que pacotes de dados, que se conectam uns aos outros transportando a informação necessária. Sempre que um novo bloco é inserido na cadeia, computadores processam uma série de operações matemáticas para garantir a autenticidade da operação, que pode ser conferida a qualquer momento, sempre que necessário

Em outras palavras, a rede de blockchain é um livro-caixa, onde todas as transações envolvendo uma moeda virtual ficam registradas. Como é necessário processar essas operações matemáticas para inserir um novo registro, isso garante que tudo o que está ali foi supervisionado por todos os computadores conectados à rede.

Bitcoins

É da rede de blockchain que também vem o conceito de "minerar criptomoedas". Como é necessário muito poder computacional para processar cada operação, quem cede suas máquinas para essa tarefa é recompensado como novos fragmentos de uma moeda virtual. É o que acontece como o Bitcoin, por exemplo, a mais famosa das moedas virtuais.

Além de ser a mais popular das criptomoedas, o Bitcoin ostenta o posto de primeira moeda digital criada. Ele surgiu no final de outubro de 2008, meio ao auge da crise econômica, que fez com que crescesse a desconfiança em torno do mercado financeiro convencional.

A curiosidade é que ninguém sabe quem foi o verdadeiro responsável pelo seu desenvolvimento. O criador (ou grupo de criadores) nunca veio a público e se esconde sob o pseudônimo Satoshi Nakamoto, cuja identidade permanece envolta em mistérios até hoje.

Com o tempo, outras criptomoedas foram ganhando espaço no mercado e hoje existem inúmeras opções. Além do Bitcoin, o Ethereum, o Litecoin e o Ripple chamam bastante a atenção dos entusiastas dessa combinação entre tecnologia, forma de pagamento e investimento.

Quais são os benefícios de investir em criptomoedas?

Em tese, as criptomoedas podem desempenhar o papel de qualquer outra moeda, como o Real ou o Dólar. Assim, você poderia sair por aí e pagar seu almoço, suas compras e suas contas utilizando uma dessas moedas baseadas em sistemas de criptografias. Contudo, com o passar do tempo, esse tipo de ativo digital passou a ser visto como uma forma de reserva de valor e uma alternativa de investimento financeiro.

A lógica por trás disso é simples: você pode comprar determinada quantia de uma criptomoeda e mantê-la consigo na expectativa de que ela se valorize no longo prazo. Quando isso acontecer, basta revendê-las por esse valor mais alto e lucrar com a diferença, garantindo o retorno do investimento. Na prática, não é muito diferente do que acontece com as ações ou mesmo no investimento em um imóvel.

Potencial de valorização

Várias criptomoedas de tempos em tempos experimentam períodos de valorização. Novamente o Bitcoin talvez seja o principal exemplo disso. Em um único ano, a criptomoeda já teve valor de mercado registrando disparada de 1300%. Isso aconteceu em 2017, que ficou marcado como um dos primeiros anos de ganho de popularidade desse tipo de ativo.

E é justamente dessa valorização que os investidores de critptomoedas vão atrás, uma vez que poucos investimentos disponíveis no mercado conseguem oferecer rentabilidade compatível aos ganhos alcançados com o sobe e desde da cotação de tais ativos.

Relativo baixo custo

Muitos investimentos envolvem o pagamento de uma série de taxas para manutenção da aplicação. Com a maioria das criptomoedas, esses custos são baixos ou até mesmo isentos. Ou seja, esses descontos em patamar reduzido acabam aparecendo como uma vantagem a mais em relação a outras aplicações financeiras, cujas taxas altas podem corroer a rentabilidade obtida.

Instrumento de diversificação

A diversificação é uma das estratégias mais importantes para qualquer investidor. Colocar os recursos disponíveis em diferentes tipos de investimento ajuda tanto na obtenção de melhores retornos quanto na redução dos riscos. A distribuição entre aplicações variadas ajuda a equilibrar tudo isso de maneira mais inteligente.

Por isso, quem já tem investimentos consolidados em outros ativos pode escolher uma criptomoeda para aproveitar algumas das vantagens dessa forma de investimento, como o potencial de altos ganhos, conforme já mencionamos.

Autonomia, anonimato e privacidade

Muito dos recursos tecnológicos empregados em toda a estrutura envolvida na compra e venda da maioria das criptomoedas acrescenta uma série de camadas que fortalecem a autonomia, o anonimato e a privacidade dos investidores. Isso pode ser relevante, principalmente para quem se preocupa com a segurança.

O Bitcoin, por exemplo, permite que toda a transação seja realizada sem vincular as informações pessoais do usuário a movimentação feita. Além disso, a criptografia impede que qualquer manipulação no registro da moeda seja feita, já que ele é público e disponível para averiguação a qualquer momento, garantindo a neutralidade, a previsibilidade e a transparência de cada transação.

Quais são os riscos?

É claro que, assim como qualquer outro tipo de investimento, a opção pelas criptomoedas também traz riscos, que podem ser maiores ou menores dependendo da circunstância. Por isso, indicamos os principais para você saber com o que um investidor desses ativos precisa lidar.

Altíssima volatilidade

A volatilidade é um termo comum no mundo das finanças e diz respeito ao grau e a frequência das oscilações da cotação de determinado ativo. Assim, quanto mais volátil é uma aplicação, maiores são as variações de preço, tanto para cima quanto para baixo.

E a maioria das criptomoedas sofre com cotações que sobem e descem no ritmo de uma montanha-russa. O próprio Bitcoin demonstra isso: após disparada recorde em 2017, no ano seguinte, a mais famosa das criptomoedas enfrentou queda de 70%, o pior da sua história até então.

Falta de regulamentação

A maioria dos países ainda não conta com regras claras para a compra e venda desses ativos digitais e ainda engatinha sobre as formas como vão fazer isso. Para quem vai investir, tal cenário pode ser mais uma fonte de insegurança e instabilidade.

A falta de um órgão central regulador das emissões e o risco para o sistema financeiro como um todo fazem com que muitos governos hesitem em estabelecer normas para transações envolvendo criptomoedas.

Risco de bolha financeira

Entre os riscos para o sistema financeiro global está o de formação e posterior colapso de uma bolha envolvendo as criptomoedas. Não é raro encontrar especialistas apontando que a constante valorização desses ativos seja artificial e sinal de uma bolha está se inflando.

As bolhas se formam quando o valor de determinado investimento se descola do que seria um valor real. Quando isso acontece, muitas pessoas procuram esse investimento ao mesmo tempo, até o momento em que algo rompe esse círculo de valorização, estoura a bolha e causa prejuízo para a maioria dos envolvidos.

Restrições em alguns países

Não por menos, muitos países não só deixam de regular as criptomoedas como impõem restrições a sua circulação, impedindo transações utilizando os recursos digitais desse tipo. O Banco Central da China, por exemplo, proibiu que as instituições financeiras do país reconhecessem e autorizassem negócios baseados nesse dinheiro virtual.

Ausência de lastro

As criptomoedas não têm nada no mundo real que assegurem seu valor. No linguajar econômico, isso significa que elas não têm lastro. É exatamente o oposto do que acontece com as moedas convencionais: quando emitida por um Banco Central, o dinheiro tem o respaldo da política monetária do país, da sua capacidade de endividamento ou mesmo da atividade econômica daquela nação.

Vale a pena investir em criptomoedas?

Assim como qualquer outro investimento, saber se vale a pena começar a investir em criptomoedas passa pela análise cuidadosa de uma série de fatores. Entre eles, o principal certamente é o seu perfil de investidor.

O perfil de investidor é um conjunto de características que indicam qual é a relação da pessoa com o dinheiro e com as aplicações financeiras. Isso inclui uma avaliação sobre a aversão ao risco, o momento de vida e os objetivos com o investimento, tanto no curto, quando no médio e no longo prazo.

Quem não tolera a possibilidade de ter que arcar com prejuízos e está investindo dinheiro pensando em comprar um imóvel ou apenas para manter uma reserva financeira compõe um perfil mais conservador, por exemplo. Logo, essas pessoas devem passar longe de investimentos voláteis, como as criptomoedas.

Escolher investimentos alinhados ao perfil permite que o investidor gerencie da melhor maneira o seu dinheiro, permitindo que o seu planejamento tenha mais chances de alcançar o resultado esperado.

Portanto, não é à toa que a maioria das instituições financeira indicam aos clientes questionários para definir seu perfil, o que evita uma série de dores de começa antes mesmo de começar. Assim, as indicações de investimento estarão alinhadas a essas características.

Como saber se tenho perfil para investir em criptomoedas?

Como já deve ter ficado claro, se você prioriza rentabilidade acima de tudo e não tem problemas para encarar períodos intensos de volatilidade, talvez as criptomoedas sejam boas uma opções de investimento para você. Ainda assim, esses ativos digitais podem ser arriscados demais até mesmo para esse grupo de investidores mais arrojados.

No sentido oposto, investidores com maior aversão ao risco e que se enquadram em perfis mais conservadores e moderados não vão encontrar nas criptomoedas uma boa opção. Para eles, certamente o mercado oferece opções mais interessantes de onde investir cada centavo, garantindo a segurança e a solidez que eles almejam.

Seja como for, independentemente do perfil, nunca abra mão de estratégias de diversificação. Ou seja, nunca coloque todo o seu dinheiro em um único investimento. E quanto mais arriscado ele for, mais cuidadoso é necessário ser em relação a isso. Essa costuma ser a dica de ouro para quem está começando a investir.

Certamente você está apto a responder se vale a pena investir em criptomoedas. Como toda novidade, essa alternativa levanta uma série de dúvidas e desperta uma certa curiosidade. Contudo, analise cada aspecto com cuidado antes de decidir investir nesse tipo de ativo para não colocar em risco a sua saúde financeira.

Agora que você já sabe como funciona o investimento em criptomoedas, veja as melhores dicas de como investir em uma startup e descubra quais são os cuidados necessários.
As informações que constam nesse artigo podem sofrer atualizações sem aviso prévio.
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