Parcela de consórcio: como é calculada e como é paga na prática?

Você sabe como a parcela de um consórcio é formada? Leia o nosso post e tire todas as suas dúvidas sobre o assunto!
  • Atualizado em April 15, 2021
  • Publicado em January 2, 2018
  • Consórcio

Quando o assunto é parcela de consórcio, algumas pessoas podem ficar em dúvida de como o cálculo é realizado. Mas não se preocupe, pois, neste post, vamos explicar tudo que você precisa saber a respeito de como a parcela do consórcio é calculada.

Essa forma de investimento tem ajudado milhares de brasileiros nos últimos anos. Segundo dados da Associação Brasileira das Administradoras de Consórcio (Abac), de janeiro a novembro de 2020 foram vendidas 2,77 milhões de cotas de consórcio, um número recorde e 4,9% acima do registrado no mesmo período do ano anterior.

Isso significa que muitos brasileiros já perceberam a vantagem dessa modalidade de investimento para conquistar seus tão sonhados bens. E é normal que as pessoas que ainda não fizeram esse investimento tenham dúvidas: se vale a pena, como funciona o reajuste e, principalmente, como são calculadas as parcelas de pagamento.

Neste post, vamos mostrar de maneira simples e prática como é calculada a parcela de consórcio. Ao final da leitura, você terá maior clareza de como esse processo funciona, tornando-se capaz de se planejar. Confira!

Como funciona um consórcio?

O consórcio foi criado no Brasil na década de 1960 e se tornou um tipo de investimento bastante popular nos dias atuais. Trata-se de uma modalidade de investimento colaborativo, em que pessoas com o mesmo interesse se reúnem para adquirir um bem. Esse bem pode fazer parte de inúmeras categorias — casas, apartamentos, reformas, terrenos, carros, náuticos, motos, caminhões etc.

Imagine que você queira comprar um carro, mas não tenha o dinheiro suficiente para fazer a aquisição à vista e não queira arcar com os juros em algumas modalidades de compra parcelada.

Nesse caso, você busca uma administradora de consórcios — a empresa responsável por reunir todas as pessoas com o mesmo interesse, organizar os grupos e dar garantias aos participantes — e se informa sobre as cartas de crédito disponíveis e as condições de participação.

Ao aderir, você passa a pagar parcelas mensais do consórcio, a fim de formar uma espécie de fundo comum, que é o que possibilita a aquisição do bem a todos os participantes do grupo. As parcelas são estabelecidas com base no valor da carta de crédito definida, taxas e do prazo de pagamento do plano.

Para ter acesso à carta de crédito, você precisa ser contemplado. Essa contemplação pode ocorrer por meio de sorteio ou lance em assembleias realizadas periodicamente pelo grupo de consorciados.

No sorteio, o participante depende da sorte, ou seja, todos que concorrem estão em igualdade de condições. Já o lance é a oferta de um valor que corresponde à antecipação de parcelas de consórcio, o que aumenta as chances de contemplação do participante.

Quando contemplado, o consorciado pode adquirir o seu bem. Contudo, não é nesse momento que termina o processo do consórcio. Mesmo já tendo atingido seu objetivo, todas as parcelas do valor integral devem ser pagas, para que cada um dos membros consiga realizar sua aquisição. Quitadas todas as parcelas, aí sim, encerra-se o plano.

O que é a cota de um consórcio?

A cota de um consórcio é a sua identificação dentro do grupo ao qual você aderiu. Então, se há 200 pessoas juntando dinheiro coletivamente para um fundo comum, visando a aquisição de bens ou serviços semelhantes, a sua cota corresponde ao número de identificação individual, que representa você em meio aos outros envolvidos no processo.

O histórico de seus pagamentos, o plano escolhido junto à administradora e a participação ficam vinculados a essa numeração. Além disso, é o número da cota que vai para os sorteios e identifica quem foi contemplado e terá acesso à carta de crédito.

Quais são as principais taxas de um consórcio?

Para entendermos como a parcela de consórcio é calculada, precisamos conhecer as principais taxas aplicadas nessa modalidade de investimento. Elas costumam se dividir nos seguintes tipos:

  • fundo comum;
  • taxa de administração;
  • fundo de reserva;
  • seguro.

O fundo comum é o valor que todo consorciado paga para formar um caixa destinado à aquisição do bem, que servirá para compor o saldo para as contemplações mensais. A definição do valor de contribuição mensal do fundo é obtida mediante um percentual sobre o valor do crédito contratado, considerando que, até o final do prazo contratado, o cliente deve quitar 100% do fundo comum.

A taxa de administração é o valor cobrado pela administradora para gerir os grupos de consórcio. É importante destacar, também, que a empresa é livre para fixar o percentual que será cobrado dos consorciados e deve ser autorizada e credenciada pelo Banco Central do Brasil (Bacen).

Já o fundo de reserva é destinado à proteção do funcionamento do grupo, cobrindo eventuais inadimplências e outras despesas relacionadas aos consorciados/grupos, como as custas de cobrança de atrasos. O seguro, por sua vez, é um benefício para consorciados ou herdeiros no caso de algum sinistro.

Como você pôde ver, cada um desses itens procura dar um suporte completo ao consorciado e garantir que ele tenha aquilo que busca ao término do contrato. A seguir, vamos explicar como cada uma dessas taxas é calculada.

Como cada taxa do consórcio é calculada?

O fundo comum se baseia no valor total da carta de crédito adquirida. Portanto, o seu cálculo será baseado em 100% do valor do crédito, dividido pelo número de meses de duração do plano de consórcio. Isso significa que um consórcio de 50 meses, por exemplo, terá o valor total de 100 ÷ 50, ou seja, 2% do valor total ao mês.

Vamos exemplificar o cálculo acima. Digamos que o prazo do grupo é de 50 meses, com crédito de R$ 30 mil. O percentual do fundo comum será de 2% ao mês. Ou seja a parcela do fundo comum será de R$600,00.

A taxa de administração tem um valor mais baixo que o fundo comum, já que, por exemplo, se ela equivaler a 10% do valor total da carta de crédito adquirida, será diluída nos meses de duração do consórcio. Isso significa que você pagará 10% dividido por 60 meses, ou seja, 0,1667% mensais até completar 60 parcelas e atingir os 10% do total.

É um valor bastante acessível para uma aquisição de longo prazo.

O fundo de reserva segue a mesma forma de cobrança da taxa de administração. Vamos utilizar o exemplo de 2% do valor da carta de crédito adquirida. Nesse caso, você pagará 2% dividido por 60 meses, o que equivale a 0,0333% em cada parcela.

Já o seguro depende de cada contrato e de como a cobrança é estipulada. Normalmente, é calculado sobre o saldo devedor. O mais importante é ficar atento aos acordos dispostos no contrato antes de assinar e se tornar um consorciado.

Vale lembrar que todos os exemplos dados aqui são apenas hipotéticos, e você deverá estar atento às especificidades do seu consórcio no momento de aderir a um plano. Veja como tomar esse cuidado no tópico a seguir.

Como encontrar a parcela adequada para você?

Vimos que o consórcio é um modelo bastante flexível, que permite que você defina o valor do crédito e das parcelas o que facilita o planejamento.

Porém, como qualquer aquisição de longo prazo, é importante que você monte um planejamento financeiro para encontrar os valores que realmente se enquadrem dentro das suas possibilidades, do início ao fim do plano de consórcio.

A recomendação é fazer essa avaliação do seu orçamento antes de buscar uma administradora. Assim, você já estará ciente de quanto poderá investir quando descobrir o valor das parcelas.

Um planejamento antecipado é a melhor medida para evitar o risco de inadimplência, que prejudica bastante o andamento de um grupo de consorciados. Caso não tenha conseguido arcar com as parcelas, além de ter a possibilidade de sofrer com a cobrança de multas e juros, você também será impedido de participar das assembleias e, consequentemente, dos sorteios para ser contemplado com a carta de crédito.

Então, para evitar qualquer risco, é importante que você pesquise bem os valores do mercado antes de escolher qual será a administradora responsável pelo seu consórcio. Esclareça suas dúvidas antes de fechar uma parceria, inclusive para saber se determinada administradora oferece parcelas que cabem no seu orçamento.

Além das parcelas, fique de olho nos reajustes do pagamento das parcelas. Embora os consórcios não trabalhem com juros embutidos, existe um reajuste que tem o objetivo de impedir que a carta de crédito seja desvalorizada com o tempo. É uma correção que varia de acordo com as administradoras e é baseada no valor do bem.

Outro desafio que pode dificultar a sua experiência são os termos específicos usados no processo, que nem sempre têm significados tão claros. Já pensou, por exemplo, no que significa assembleia geral ordinária? Alienação fiduciária? Fundo de reserva? Esses são apenas alguns dos termos mais usados nas etapas do consórcio.

Podemos dizer que assembleia geral ordinária é a reunião mensal para a realização dos sorteios do consórcio. Alienação fiduciária, a garantia vinculada ao bem adquirido em favor da administradora. Já fundo de reserva é um valor percentual incluído na parcela para arcar com custos imprevistos do grupo. Mas não pare por aqui! Existem outros termos que merecem a atenção dos consorciados.

De modo geral, lembre-se de que o consórcio é uma maneira inteligente de se organizar financeiramente para adquirir determinado bem ou serviço sem precisar se submeter aos altos juros cobrados em outras formas de parcelamento.

Se gostou de conhecer como são calculadas as parcelas de consórcio e como elas são pagas na prática, não deixe de ler nosso glossário do consórcio: 39 principais termos e seus significados!
As informações que constam nesse artigo podem sofrer atualizações sem aviso prévio.
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