Tudo Sobre Consórcio

Entenda como é calculada a taxa de administração do consórcio

O consórcio cobra uma taxa de administração, bem inferior aos juros dos financiamentos. Saiba como funciona neste post.

Especialmente pela ausência da cobrança de juros, o consórcio tem se consolidado no mercado nacional como uma alternativa (bem) mais vantajosa que o tradicional financiamento. Para você ter uma ideia, dados da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC) apontam que em 2019 houve um aumento de 12,8% nas adesões a essa modalidade em relação ao ano anterior. E a tendência é continuar aumentando.

O que é preciso entender o quanto antes é que o consórcio é uma maneira segura e planejada de adquirir bens de grande valor, como imóveis ou veículos, bem como de contratar serviços, como viagens, festas, cirurgias plásticas, entre tantas outras possibilidades. 

Quer aprender em detalhes como o sistema funciona, o que fazem as administradoras e como é calculada a taxa de administração do consórcio? Continue acompanhando este post para entender mais sobre o assunto!

Entenda o funcionamento básico dessa modalidade

O consórcio é uma estratégia de longo prazo para a aquisição de bens ou a contratação de serviços de alto valor, seja a compra ou a reforma de imóveis, a aquisição de veículos ou mesmo a realização de uma viagem. Com a formação de grupos de pessoas que tem um interesse comum, é feita uma espécie de poupança coletiva para a aquisição de bens ou serviços.

Para garantir que os interesses do grupo serão preservados, com o efetivo cumprimento da sua finalidade, todos os valores e as transações são acompanhados de pertinho por uma administradora, empresa especializada na gestão de consórcios.

Já vale adiantar que no consórcio não há cobrança de juros. O que existe é a taxa de administração, que é a remuneração do serviço de gestão e gerenciamento prestado pela administradora aos consorciados. E acredite: mesmo com as taxas e despesas envolvidas, o resultado final no custo efetivo da aquisição do bem por meio de um consórcio ainda é mais atrativo que o das demais modalidades de aquisição parcelada.

O momento mais esperado é a contemplação, quando o consorciado tem acesso à carta de crédito para a aquisição de um bem, como veículos e imóveis, ou a contratação de um serviço, como viagens e cirurgias estéticas. Para ficar mais claro, veja rapidamente como funciona a contemplação no consórcio:

o consorciado pode ser contemplado por meio de sorteios ou lances;
- quando o consorciado é contemplado e tem acesso à carta de crédito, ele parte para a escolha do bem e do fornecedor, desde que respeitada a categoria de referência prevista no contrato;
- é importante ter em mente que, mesmo que a administradora de consórcio seja eventualmente vinculada a alguma concessionária, montadora ou revendedora de bens, ela não pode restringir a liberdade de escolha dos participantes do consórcio.

Aprenda o que é a taxa de administração do consórcio

A taxa de administração é um dos itens que compõem a parcela do consórcio. O participante paga um percentual prefixado como forma de remuneração pelos serviços prestados pela administradora durante toda a duração do grupo. O valor dessa taxa é definido em contrato e incide sobre o montante total da carta de crédito definida. Livre para fixar seu percentual, a administradora deve ser autorizada e credenciada pelo Banco Central do Brasil (BACEN).

Além da taxa de administração, o valor da parcela do consórcio é composto por percentuais relativos à formação de fundo comum, de fundo de reserva e do valor do seguro — obrigatório em alguns grupos. Entenda agora mesmo do que se trata cada uma das taxas cobradas no consórcio!

Fundo comum

Fundo comum é o valor que todo consorciado paga para formar o capital destinado à aquisição do bem ou a contratação do serviço. É justamente ele que servirá para compor o saldo para as contemplações mensais. Essa contribuição é calculada seguindo determinado percentual sobre o valor do crédito contratado.

Todo o montante pago pelos participantes do consórcio é acumulado no fundo comum. A cada contemplação, sairá desse total, por meio da carta de crédito, a quantia necessária para a compra do bem ou do serviço objeto do consórcio.

Não tem mistério: de forma geral, o valor da contribuição mensal para o fundo comum é calculado com base no valor integral do produto do consórcio dividido pelo número de meses que o grupo durará, conforme previsão em contrato.

Fundo de reserva

O fundo de reserva tem como missão proteger o funcionamento do grupo ao cobrir eventuais inadimplências e outras despesas relacionadas aos consorciados.

Assim como acontece com a taxa de administração, o valor cobrado para o fundo de reserva é um percentual fixo, que pode variar de acordo com cada administradora. Mas é importante ter em mente que a administradora só pode cobrar uma taxa para compor o fundo de reserva se isso estiver devidamente previsto no contrato.

Seguro

Outra taxa comumente cobrada em consórcios é o seguro, valor usado para proteger os participantes caso aconteça algum imprevisto, como:

quebra de garantia, em casos de inadimplência;
- seguro de vida, que garante o pagamento em caso de morte do consorciado;
- seguro-desemprego, que garante o pagamento de algumas parcelas caso o consorciado perca o emprego.

Assim como acontece com o fundo de reserva, o seguro só pode ser cobrado caso esteja previsto no contrato.

Como dá para perceber, o valor de um consórcio pode oscilar bastante segundo diversas variáveis. Para garantir que está fazendo o melhor negócio, é essencial considerar não só a taxa de administração como também os demais valores cobrados, caso do seguro e do fundo de reserva.

Diferencie taxa de administração de taxa de juros

Como você viu, a taxa de administração é cobrada pela administradora pelo serviço prestado para formar o grupo do consórcio, administrar todo o processo e conciliar os interesses dos participantes. Diferentemente do que acontece em um financiamento bancário, em que as instituições financeiras cobram juros para emprestar recursos, o consórcio promove o autofinanciamento com juros inexistentes — esse, aliás, é um dos principais motivos pelos quais o consórcio vale a pena.

Por não existir nenhum tipo de empréstimo envolvido, já que o dinheiro é oriundo das próprias contribuições dos consorciados, cobra-se somente uma taxa de administração para dar conta da gestão do grupo. É interessante ressaltar que a taxa de administração é um percentual fixo, ou seja, não sofre alteração ao longo da vigência do plano.

Aprenda a calcular a taxa de administração

No momento da assinatura do contrato, o valor da taxa de administração já está definido. Lembrando que ele toma como base um percentual fixo do valor da carta de crédito, que será diluído ao longo do prazo de vigência do plano, em cada uma das parcelas mensais pagas pelos participantes.

No caso de uma taxa de administração de 15%, com um prazo de pagamento de 60 meses, o resultado da taxa de administração diluída nos pagamentos mensais representa 0,25% da parcela. Caso a carta de crédito contratada seja de 60 mil reais, por exemplo, o valor mensal referente à taxa de administração seria de 150 reais. Só lembrando que consideramos aqui uma amortização mensal igualitária, ok? Alguns grupos podem exigir antecipação da taxa.

Antes de bater o martelo na contratação de qualquer administradora, é importante se manter informado e fazer simulações a fim de descobrir qual é o melhor grupo para suas necessidades. Opte por aquela parcela que melhor se ajusta a seu orçamento, sem deixar de avaliar também as condições contratuais, que devem ser adequadas à sua realidade.

Veja quais regras regem o trabalho da administradora

Pessoa jurídica prestadora de serviços que tem como principal objeto social a gestão de grupos de consórcio, a administradora pode ser constituída como sociedade limitada ou anônima. Deve constar no contrato de participação em grupo de consórcio por adesão, figurando como gestora dos negócios e mandatária dos direitos e interesses de seus consorciados.

Diretores, gerentes e sócios da administradora são considerados depositários das quantias que a empresa recebe dos participantes do consórcio em sua gestão até que totalmente cumprida a obrigação assumida no contrato. Isso significa que os executivos da empresa respondem, pessoal e solidariamente, pelas obrigações perante os participantes do consórcio, independentemente de qualquer verificação de culpa.

Pelo trabalho que desempenha desde a hora de formar, organizar e administrar o grupo de consórcio até seu encerramento, a administradora tem direito à taxa de administração, assim como ao recebimento de outros valores, desde que previstos no contrato de participação em grupo de consórcio por adesão.

Assim como rendimentos e frutos, bens e direitos adquiridos pela administradora em nome do grupo, inclusive aqueles que decorrem de garantia, não podem ser considerados patrimônio da empresa. Tais bens e direitos não integram, portanto, os ativos da administradora, não respondendo direta ou indiretamente por qualquer obrigação da pessoa jurídica. Diante disso, não compõem os bens e direitos da administradora em caso de liquidação judicial ou extrajudicial, tampouco podem ser fornecidos como garantia em caso de débito corporativo.

Por lei, a administradora de consórcios não precisa apresentar certidão negativa de débitos expedida pelo Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), nem certidão negativa de tributos e contribuições expedida pela Receita Federal quando realizar alienação de imóvel integrante do patrimônio do grupo de consórcio.

O sistema de consórcios no Brasil é regulamentado pela lei 11.795, de 2008, e fiscalizado pelo Banco Central. Buscando a manutenção da segurança das contratações e a preservação dos direitos dos participantes, tal regulamentação e fiscalização garantem a solidez do mercado, que conta com regras claras de funcionamento.

Todas as questões relativas às relações entre clientes/consorciados e administradoras de consórcio devem seguir o Código de Defesa do Consumidor (CDC). Cabe aos órgãos que integram o Sistema Nacional de Defesa do Consumidor (SNDC) mediar tais questões.

É importante reforçar que as administradoras de consórcio precisam fornecer de forma periódica ao Banco Central os registros contábeis e não contábeis das operações dos grupos. Da mesma forma, os dados individuais agrupados por Unidades da Federação podem ser consultados no banco de dados do BC.

É importante esclarecer que só podem atuar como administradoras de consórcios aquelas empresas que preencham os requisitos impostos pela lei e que sejam devidamente autorizadas pelo Banco Central. Por isso, é fundamental fazer uma boa pesquisa prévia para nem sequer cogitar a contratação de um consórcio com uma empresa não autorizada.

Conheça o trabalho da administradora de consórcios

Bastante complexo, o trabalho das administradoras dá conta das diversas etapas previstas no contrato. Começa, aliás, muito antes da adesão dos consorciados aos grupos. A empresa faz análises e estudos técnicos para identificar os tipos de grupos que serão formados, bem como sua viabilidade econômica. 

Nessa fase são definidas as regras que farão parte do contrato, tais como prazo, número de participantes, valores das cartas de crédito, critérios de atualização, quantidade e frequência de contemplações por sorteio e lance, funcionamento das assembleias, meios de comunicação com os consorciados e demais normas necessárias para o bom funcionamento do consórcio. Depois de devidamente definidas, essas regras são consolidadas no contrato. Inicia-se então a oferta de adesão aos interessados.

Depois das assinaturas dos contratos e do efetivo início dos pagamentos por parte dos consorciados, o trabalho continua com a administração dos valores recebidos, a realização de aplicações financeiras dessas quantias, a organização das assembleias previstas, a comunicação com os consorciados, a administração de lances, as contemplações e, claro, a liberação de crédito aos contemplados.

Além disso, a administradora deve gerir os pagamentos em atraso, comprometendo-se ainda a realizar cobranças e fazer eventuais devoluções de valores a quem venha a se desligar do grupo sem ter sido contemplado.

Garanta sua segurança com a taxa de administração

Não tem como fugir: o bom funcionamento dos grupos de consórcio está diretamente ligado à atuação constante e eficiente das administradoras. Certificando-se de que os participantes alcançarão seu objetivo de aquisição de determinados bens ou de contratação de certos serviços de maneira sustentável e econômica, conforme estabelecido na legislação vigente e no contrato, o trabalho dessas empresas garante a segurança do sistema de consórcios.

O pagamento da taxa de administração do consórcio garante ao participante a prestação dos devidos serviços durante todo o contrato. A administradora dá assistência integral, incluindo todos os procedimentos para a gestão do grupo e uma comunicação clara e eficiente com os participantes. A ideia é proporcionar máxima segurança no cumprimento do contrato.

Saiba como escolher uma administradora de confiança

Agora que você já entende melhor como é calculada a taxa de administração do consórcio e conhece ao menos o básico do trabalho que a administradora faz, chegou a hora de escolher uma empresa de confiança para administrar o seu investimento! Mas como?

É importante estar atento a alguns critérios para avaliar a atuação da administradora no mercado, bem como os cuidados que ela tem com os clientes. Para ajudar nessa missão, acompanhe os tópicos abaixo e monte sua checklist!

Transparência nas operações

Para fechar um negócio com segurança, é imprescindível entender todos os aspectos envolvidos. A administradora deve explicar suas operações em detalhes e de maneira transparente, informando dados relativos, por exemplo, à taxa de administração, à forma de reajuste do consórcio, ao índice utilizado, ao funcionamento das assembleias, além dos processos de contemplação, seja por sorteio ou lance.

Fora as informações iniciais que devem ser prestadas, a empresa também deve deixar claro onde e como é realizada a divulgação dos contemplados em cada grupo, como funciona o acesso à área do cliente e como você poderá tirar dúvidas após a assinatura do contrato. É preciso fazer de tudo para sentir firmeza e tranquilidade no negócio que está contratando para não sair com a sensação de que não entendeu direito o que foi dito.

Qualidade do atendimento

A qualidade do atendimento aos clientes é fator primordial para medir a qualidade da própria administradora de consórcios de forma geral. Não tem muito segredo aí: você deve se sentir bem atendido desde o primeiro momento, quando for tirar suas dúvidas iniciais.

Não deixe de pesquisar em sites como Procon e Reclame Aqui, bem como nas páginas das redes sociais das próprias empresas para ver qual é o grau de satisfação dos clientes com o pós-atendimento. Essa é a forma mais segura de medir a qualidade da administradora que você pretende escolher.

Credibilidade no mercado

A legislação que cuida dos consórcios no Brasil é bem firme. Para uma empresa se manter nesse mercado, ela precisa ficar bastante atenta, uma vez que o Banco Central acompanha de perto seu desempenho e o respeito às regras. Fica fácil, assim, pesquisar sobre os índices de queixa da administradora ao acessar aqueles sites em que os clientes normalmente deixam avaliações e consultar o ranking de reclamação do Banco Central.

Opções de carta de crédito

Uma outra característica importante para escolher bem a administradora é analisar as opções de carta de crédito que ela oferece. Para fazer um bom negócio, é necessário pensar no valor aproximado do bem que você deseja comprar ou do serviço que pretende contratar, em quanto tempo e qual o preço das parcelas para que caibam direitinho no seu bolso.

A precificação é determinada com base no prazo para pagamento, na taxa de administração do consórcio e nos benefícios que cada empresa oferece.

Não restam dúvidas de que fazer um consórcio traz muitas vantagens financeiras. Antes de fazer sua escolha, no entanto, fique bastante atento. Não deixe de realizar uma boa pesquisa de mercado para evitar dores de cabeça e arrependimentos no futuro. Nada de agir sob pressão, viu?

Por fim, se gostou deste conteúdo, aproveite para ler também sobre o funcionamento do pagamento das parcelas do consórcio!

As informações que constam nesse artigo podem sofrer atualizações sem aviso prévio.